02/05/2017

Um pouco sobre os meus escritos e porque eu acho que o mundo não está preparado para minha arte

    Hoje eu resolvi falar sobre uma grande paixão que eu tenho, que é escrever. Obviamente vocês já devem ter deduzido isso porque, duh, o blog completa 1 ano daqui a duas semanas e eu tô sempre fazendo posts enormes e beeem lá no início eu falava bastante sobre livros - juro que volto a resenhar assim que minha vida desafogar um pouco desse mar de responsabilidades e tarefas que é o último ano da faculdade.

    Então, eu comecei a ler bem pequena, segundo minha mãe foi lá pelos 3 anos. Lia de tudo: jornal, revista, placa, rótulo de algum produto... Até hoje me pego lendo os ingredientes na caixinha de suco enquanto almoço. Sério, sou viciada. E mesmo antes de aprender a escrever eu gostava de inventar histórias: brincava com bonecas, esmaltes, tudo que na minha cabeça pudesse ser um personagem.

    Claro que na escola eu já fazia algumas coisas, como escrever redações e participar de festivais de poesia, teve até aquele ano que a minha turma escreveu um livro - e repetimos a dose no ano seguinte. Mas eu considero como meu início nessa vida quando eu descobri as maravilhas do Orkut. Eu sou fã enlouquecida dos Jonas Brothers desde o que, os 12 anos de idade? Enfim, eu descobri o mundo das fanfics e não demorou muito até eu começar a escrever as minhas próprias. De início era sempre a mesma fórmula clichê que até hoje vemos em fanfic de boyband ou qualquer astro teen: a protagonista é uma garota tímida pra quem ninguém nunca dava atenção, o famoso em quem era baseada a fanfic era o menino popular que todos adoravam. Ele acabava se apaixonando por ela e depois de idas e vindas o casal finalmente se juntava e quase sempre chegava, no mínimo, ao noivado. Às vezes rolava casamento e filhos porque as leitoras estavam sempre lá dando UP e pedindo mais. Foi ótimo enquanto durou.

    Vendo que eu fazia um certo sucesso escrevendo fanfics sobre Jonas Brothers - e sempre recebendo elogios dos professores de redação, cresceu em mim a vontade de escrever um livro, uma história original. Claro que eu quase nunca tinha ideias e sempre me pegava voltando às fanfics, era bem mais fácil trabalhar com personagens já existentes e uma fórmula batida. Mas em 2013 ela veio, a bendita inspiração. E da forma que eu menos esperava: jogando The Sims.

    Tinha acabado de instalar expansões novas e meu jogo sofreu um bug terrível. Minha sim grávida teve um parto infinito de sete meninas (e teria continuado se eu não tivesse tacado o computador longe - ou apenas saído do jogo, como realmente aconteceu). Ao compartilhar esse infortúnio, alguém (que agora não lembro o nome mas juro que se eu descobrir eu vou encher essa pessoa de beijos) disse que quando nascem sete meninas seguidas em uma família, a sétima é bruxa. Adapta aqui, escolhe nome de personagem dali, cria universo de cá e PÁ: assim nasceu Seven - A Profecia.

    Concluí a história em 2014, mas achei tão fraquinha que resolvi reescrever. Estou até hoje reescrevendo - pausando entre trabalhos, intulidades e outras histórias que vez ou outra pipocam na minha cabeça. Também gosto de fazer colaborações, como foi com a Renata, uma das minhas melhores amigas - e uma das betas de Seven. A gente tinha um plot maravilhoso sobre uma escola de espiões, um troço meio PLL, meio... sei lá. Infelizmente a vida pregou uma peça na gente e o reboot que tanto queremos fazer tá mais parado que o andamento de Seven. Espero que um dia a gente termine e consiga publicar, tho. Eu sei que você tá lendo isso, Rezinha. E quer isso tanto quanto eu.

    Então, apenas um seleto grupo de pessoas teve acesso aos meus escritos até a presente data de 02 de maio de 2017. Por que isso? Eu tenho vergonha, medo de ser julgada e ridicularizada, por mais que todo mundo que leu tenha dado um feedback positivo. Pra mascarar minha insegurança gritante, eu digo apenas que o mundo não está preparado para minha arte - uso esse mantra pra quase tudo, funciona bem até eu ter um colapso e achar que não presto pra nada. Mas hoje, meus amigos, hoje eu vou deixar o prólogo da nova versão de Seven aqui. Pode ser que eu nunca o publique como um livro - mas Wattpad, Nyah, Spirit e até mesmo o Lunática tão aqui pra isso.

    Senhoras e senhores, minha obra mais aclamada: Seven - A Profecia.


Prólogo – A Lei é dura, mas é a Lei
    Grace não poderia estar mais desconfortável sentada à bancada do Conselho de Primegard. Era mais um dia de se fazer cumprir a lei dos seis distritos, uma lei que ela julgava irracional e covarde.
    Já haviam se passado treze anos desde que ela e os outros membros viram a velha Irmã Mercedes perecer logo após liberar uma última profecia. É bem óbvio que os outros membros ficaram assustados e temerosos, mas não poderiam ter tomado providência mais inapropriada. Os únicos a se opor além dela foram o Lobo Conselheiro e a nova profetisa dos distritos. Mas a profetisa não tinha voto válido e os elfos tinham dois reis, assim cinco votos venceram dois, e ali estava ela vendo outra feiticeira ser apresentada aos governantes, carregando suas crianças consigo.
    — Esta é a senhora Rosa. Está aqui para ouvir seu julgamento, senhores. — anunciou um dos guardas. A mulher tinha o rosto inchado de choro, tal como as crianças.
    — São todos seus filhos, minha senhora? — perguntou o rei da Corte Ghealach dos Elfos. O olhar de orgulho o fazia resplandecer. Pena que o orgulho era obtido através de dor.
    A mulher assentiu, tentando secar as lágrimas. Três meninos a rodeavam, o mais velho não aparentava ter mais de sete anos. Em seu colo, um bebê que ainda não completara o primeiro mês de vida. O rei nem precisou anunciar para Grace e a mãe à sua frente tremerem com a sentença.
    — Em cumprimento da lei de Primegard condeno a senhora Rosa e seu bebê à morte, o senhor seu marido à castração e à prisão. Seus filhos deverão ser tomados como protegidos por famílias da nobreza feiticeira. — ele respirou fundo — E que se façam valer minhas palavras, em nome do Leste de Elves, em nome de Primegard e em nome do Conselho.
    — Quero ser eu a aplicar a sentença do bebê, Lorde Aodh. — levantou-se Grace. Sentiu que o elfo riria dela caso estivessem apenas entre os conselheiros, mas não se abalou. Ser a única mulher no Conselho podia ser intimidante, mas ela aguentava.
    — Como quiser, menina Grace. — os olhos dele agora sorriam. Ele sabia que ela odiava ser chamada de “menina”, ainda mais com plateia, mas ainda assim a provocava. Era o membro mais antigo do Conselho depois dela, quase cento e vinte anos convivendo, e ainda a subestimava.
    A vampira desceu os degraus que separavam os sete tronos do Conselho daquela pobre mulher, segurando os sentimentos e tentando parecer solene. Olhou para o rostinho do bebê antes de tomá-lo nos braços. Tinha os mesmos olhos castanhos que costumava encarar no espelho antes da transformação. Uma pontada fria como ferro atacou seu peito.
    — Se chama Lux, Lady Grace. — Falou Rosa, tentando não chorar. — A batizei em homenagem à senhora.
    Um bebê batizado com seu segundo nome, aquilo tornava tudo mais difícil. Era comum os súditos batizarem suas crianças com os nomes dos Conselheiros, tanto os atuais quanto os passados, mas era raro um feiticeiro batizar seu bebê com o nome de um rei de outra espécie, ainda mais a rainha vampira.
    — Lamento, senhora Rosa. — Grace sussurrou, ainda embalando a pequena Lux. — Lamento muito mesmo. Infelizmente, deve ser feito. — Fez uma pausa — Recomendo que a senhora volte para casa, arrume todo o necessário para a partida dos meninos e se prepare com o senhor seu marido para a aplicação da sentença dos senhores no dia de amanhã. — Voltou-se para os criados na lateral da sala — Tragam o leite da morte, por favor.
    O criado não demorou a trazer a mamadeira com o leite envenenado. Grace desejou ela mesma poder tomar daquele frasco, já que sendo vampira só poderia ser morta por fogo, prata ou estaca de madeira. As palavras amargaram em sua boca antes mesmo de proferi-las.
    — Eu, Lady Grace Lux Henning Berkowitz, Rainha dos Vampiros, Senhora das Trevas, Protetora do Reino de Sombras e das Terras Imortais, sentencio Lux à morte pelo crime de ameaça à Terra de Primegard. Hei de cumprir meu veredito, suplico aos deuses de todos os homens que se apiedem desta alma.
    A boquinha rosada de Lux quase tocava o bico da mamadeira quando a Irmã Miranda surgiu no salão.
    — Pare!
    — Alguma objeção à sentença, Irmã Miranda? — Lorde Aodh perguntou, claramente desapontado.
    — As deusas falaram a mim, senhor. — a profetisa se aproximou dos reis. — A profecia deixada por Irmã Mercedes se revelou.
    Todos os olhos se voltaram para a jovem.
    — "As lendas antigas se concretizarão. Sete irmãs fecharão o ciclo, em glória ou destruição." — disse olhando nos olhos de Grace.
    — E o que quiseram as deusas dizer com isto, Irmã Miranda? — a vampira já havia se livrado da mamadeira e ninava a bebê chorosa em seus braços.
    — Serão sete irmãs, Vossa Graça. — Irmã Miranda tirou Lux do cuidadoso abraço de Grace — Na família da senhora Rosa, só há uma menina. E ela não poderia fechar o ciclo sem seis irmãs. — sorriu — Sua sentença não lhe é válida, nem as de seus pais.
    O Conselho entrou em rebuliço. Depois de uma reunião relâmpago, Irmã Miranda acabou por retirar a condenação daquela família, tendo a ação confirmada por Grace, Aodh e os outros cinco conselheiros. Rosa teve sua filha de volta, a abraçando emocionada. Os meninos sorriram, felizes por não perderem pais e irmã. A vampira se alegrou pela primeira vez em anos.
    Mas a alegria é passageira como brisa.
    — Foi um prazer servir ao Conselho, senhores. — Irmã Miranda disse antes de sacar o punhal que escondia em seus mantos.
    — Irmã Miranda, não… — Grace tentou pará-la.
    — Minha missão nesta terra está completa, senhora. Dei a vida pelas deusas, é chegada a hora de dar minha vida para as deusas. — sorriu a profetisa antes de desembainhar o punhal — Orgulhe-se, Lady Berkowitz. Lux está a salvo e, segundo as deusas, será um valoroso membro da Irmandade do Oráculo. — respirou fundo — As deusas a aconselham a agir com honra e justiça. — e então se virou para Rosa e sua família — Melhor fechar os olhos de suas crianças.
    E, com um único golpe, encerrou sua missão com sangue.

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