10/11/2017

Mas o corpo é de quem mesmo? Ah tá.


    Ainda que não faça muito tempo desde que eu deixei a adolescência, a primeira lembrança que vem quando penso nessa fase é minha festa de 15 anos. Um momento que é o sonho de muitas meninas, o meu inclusive, e eu esperava ansiosamente desde muito criança. Eu queria aquela festa, e eu queria a valsa com meu pai, e eu queria o vestido cor-de-rosa de princesa. E é sobre ele que vou falar hoje. Não exatamente sobre ele, mas... Vocês vão entender.

    Quando eu era criança, era muito gordinha. As pessoas usavam a palavra "gordinha" para se referir a mim na escola, no curso, no balé, em vários lugares. Sempre teve uma pressão grande para eu emagrecer, pressão essa que aumentava conforme eu me aproximava da adolescência. E foi na puberdade que eu perdi bastante peso, pensando que a pressão pra ser magra ia diminuir... Amores, ela só aumentou. E então veio meus 14 anos, o desejo de ter a festa de 15, o vestido de princesa. E quem conhece histórias de princesas vê que elas não são gordinhas. Elas são magras. E eu seria uma princesa magra também.

    Deixei de comer coisas que eu gostava, fiquei meses sem tomar refrigerante, meu objetivo era emagrecer para a festa. Para ser uma princesa. E eu consegui, tanto que na última prova do vestido ele estava meio largo. Precisou ser apertado, porque eu estava muito magra. Hoje eu fico lembrando disso, vejo o vestido e percebo que ele já não cabe mais, porque nesses 6 anos eu engordei bastante. Não tô dizendo que estou obesa nem nada disso, mas em comparação aos meus 15 anos eu já não sou mais tão magra. E as pessoas ainda cobram que eu emagreça - ainda mais agora que vou me formar. Isso faz eu me questionar: por que magreza é muitas vezes relacionada a elegância? E mais: por que mulheres são mais incentivadas a ter um corpo esbelto?

    Eu fui uma criança gorda, mas isso não influenciava na minha felicidade. Minha saúde também não foi afetada por eu ser rechonchuda. Por que quando eu cresci isso começou a me afetar? Por que eu demorei todo esse tempo pra perceber que não preciso ser magra pra ser feliz, pra me sentir bonita?

    Foram muitos anos dando ouvidos a revistas, garotos, parentes, e nada de me ouvir. Eu não me sentia mal com meu corpo porque eu verdadeiramente me achava feia, eu me sentia mal com meu corpo porque as pessoas faziam eu me achar feia, porque o que elas achavam belo era tudo aquilo que eu não era. Depois de um tempo também vi que as meninas ditas como bonitas também se sentiam feias, aí percebi que o problema não era comigo.

    Não importa se você é gorda, magra, alta, baixa... O mundo SEMPRE vai arrumar um jeito de tentar fazer você se sentir mal consigo mesma. O que temos que ter em mente é que outras pessoas se beneficiam das nossas inseguranças e não podemos deixar isso acontecer. Não vale a pena ferrar o seu psicológico por causa das ideias de alguns. Conheça seu corpo, valorize-o e só cogite alguma mudança drástica se for algo que VOCÊ quer muito, não que alguém queira por você. E acho que já é bem óbvio que você deve procurar um profissional em caso de querer fazer alguma mudança, é a coisa responsável a se fazer.

    Lembre-se do quanto você é incrível e que não há nada de errado em discordar do resto do mundo quando te disserem o contrário. Todo mundo tem suas inseguranças, mas o segredo é não deixá-las serem maiores que você. E é como diria RuPaul: a menos que as pessoas paguem suas contas, elas não tem que mandar na sua vida.

    Até semana que vem, pessoal! Fiquem com esse clipe lindíssimo da Eureka O'Hara que tem tudo a ver com o assunto do post de hoje. Beijinhos!


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